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Egon Schiele - Dr. Koller - grafite s/ papel, 1918
Grafites de durezas várias
David Hockney - Jeff B. - grafite s/ papel, 1994

M. Vallens - Dead Kennedys - marcador s/ papel, 1985
Grafite 

A grafite foi descoberta na Baviera por volta de 1400, não lhe tendo sido dado na época o devido valor. 

A história do lápis remonta a 1564, quando se descobriu em Inglaterra um filão de grafite pura. A coroa inglesa mandou então abrir minas para se obter grafite como material de desenho. Estas minas forneceram grafite a toda a europa, até se esgotarem as suas reservas no séc. XIX.
O mineral era misturado com gomas, resinas e colas. Esta mistura era então colocada numa ranhura de um pedaço de madeira geralmente de cedro e atado com um cordel. À medida que se ia gastando a grafite, o cordel era desenrolado e repunha-se a mina no extremo.
Em 1761, na Alemanha, Faber criou uma pequena oficina de fabrico de lápis. Misturava duas partes de grafite com uma de enxofre. Napoleão, no séc. XVIII, encomendou a Conté a exploração de processos de fabricar lápis para substituir os importados. Apareceu então uma nova espécie de lápis que consistia na mistura de terra (argilas), grafite e água, que eram solidificados por cozedura e colocados em ranhuras de madeira. 

Este foi o antecessor do lápis que conhecemos. No passado usaram-se certos materiais na confecção das minas como ceras, goma-laca, resinas, negro de fumo, etc. Actualmente algumas das melhores minas fazem-se misturando grafites de grande qualidade com polímeros especiais.

Encontramos no mercado uma enorme variedade de qualidades de grafite. Envolvida em madeira (lápis), em minas simples de várias espessuras para porta minas, desde as mais vulgares 0,5mm, 0,7 mm, 1,2 mm, até às mais grossas apenas envolvidas em plástico para desenhos que exigem um grande depósito de grafite.

Existem também em muitas durezas, desde extra-duras a extra-macias. As mais duras permitem traços finos cinzento pálido, as mais macias produzem traços mais grossos e mais negros, pois depositam mais grafite no papel. Assim, temos basicamente a seguinte escala de grafites:

 dura                                              média                                                  macia
 8H, 7H, 6H, 5H, 4H, 3H, 2H, H, HB, F, B, 2B, 3B, 4B, 5B, 6B, 7B, 8B, 9B

Por "H" entende-se "Hard" - uma mina dura. 
Por "B" entende-se "Brand" ou "Black" - uma mina macia ou preta.
Por "HB" entende-se "Hard/Brand"- uma mina de dureza média

Associados ao uso da grafite estão sempre os afiadores ou canivetes para afiar, as borrachas mais ou menos macias e os porta-minas.

A grafite pode ser usada praticamente em todas as superfícies, excepto nas plastificadas, onde adere mal. Quase todos os tipos de papel - lisos, texturados, rugosos - são também um suporte adequado. Papéis como o "Ingres" ou "Canson" são óptimos suportes para trabalhos em valores de cinzento e "degradés". O tipo de papel que se usa é importantíssimo pois determina a forma como a grafite se vai comportar. Papéis coloridos são também frequentemente usados para trabalhos de desenho a grafite.
 
 
 
 

Canetas de feltro ou marcadores

Os marcadores ou canetas de feltro foram desenvolvidos nos anos 60 pelos Japoneses. As primeiras estavam unicamente disponíveis em preto, mas actualmente existem numa vasta gama de cores, inclusivamente em cores standartizadas e numeradas para trabalhos gráficos onde é necessário garantir um grande rigor cromático. A tinta que têm no seu interior é normalmente feita a partir de pigmentos misturados numa solção de álcool ou "xylen". Também são fabricadas algumas à base de água para o uso infantil. 

Têm no entanto defeitos -  a durabilidade da cor é muito precária e as pontas de feltro muito frágeis. A tinta uma vez depositada, é impossível de ser removida. 
A cor exposta à luz altera-se e tem tencencia a desaparecer. Muitas vezes penetra no papel, invadindo o verso deste de uma forma por vezes indesejável. Há papéis à venda vocacionados para o desenho com estas canetas, no entanto um papel relativamente lustroso pode ser recomendado para certos tipos de canetas.

Têm basicamente um uso reservado a trabalhos e fins mais efémeros ou como meio para fazer esboços em  fases de projectos. No entanto, as canetas de feltro podem ser muito vantajosas para certos trabalhos específicos, pois produzem traços homogéneos quer em espessura quer em cor. Algumas marcas de canetas permitem trabalhos com transparências e sobreposição de cores.

L.S. 2003